Sexy Depois dos 45
Certeza que você já ouviu que não pode ser sexy depois dos 45, 50, 55… Quando foi a última vez que te disseram, com todas as letras — ou talvez só com olhares enviesados — que ser sexy tinha prazo de validade? Que depois dos 30, 40 ou 50, uma mulher deveria se contentar com a sobriedade, com a discrição, com a invisibilidade? Que a sensualidade, se insistisse em existir, deveria ser “adequada”, “madura”, “compatível com a idade”?
Pois eu te conto: já passei dos 40 faz tempo e ainda me sinto sexy. Não é sempre, caro leitor, eu ainda me permito meus dias de dragão como já fazia lá em 2016 – e lá se vão quase 10 anos! Obviamente não sou a mesma mulher com o mesmo corpo de quando comecei a escrever este blog lá em 2011…


Não que meu corpo atenda (ou não atenda) a algum padrão de beleza — aliás, os anos a mais me ensinaram que padrões foram feitos para nos podar e beleza é relativa ao olhar de quem vê. Me sinto sexy quando estou inteira em mim, quando sinto que não preciso me permitir desejar.
Mas há um incômodo que persiste. Um incômodo social, coletivo, que se expressa em comentários disfarçados de cuidado, em julgamentos camuflados de “boas intenções”, em silêncios incômodos quando ouso mostrar pele, curvas, vontade. O nome disso é etarismo. E ele se infiltra sorrateiramente nos discursos sobre beleza, nas expectativas sobre o corpo feminino, na moral que ainda insiste em separar “mulheres desejáveis” de “mulheres respeitáveis”. E, infelizmente, ainda resiste também no meio liberal.

Por que a sensualidade feminina ainda é tão vigiada?
Por que uma mulher de 20 anos em trajes mínimos é celebrada, enquanto uma mulher de 45 com o mesmo gesto é vista como “inadequada”? Por que tantos ainda acreditam que o tesão tem idade de expiração — e que o prazer precisa se recolher quando os filhos crescem, quando o colágeno diminui, quando o cabelo embranquece?



Ser sexy depois dos 45…
…chega a ser um ato político, pois a sociedade ainda espera que mulheres maduras desapareçam, silenciem e se contentem com a sombra.

Eu ainda desafio o tempo como sentença. Ainda afirmo que o corpo continua sendo território de prazer, de expressão, de poder. E me recuso a aceitar a ideia de que maturidade tem que vir acompanhada de recato. Desejo não tem prazo de validade, querido leitor, nem manual de instruções.
E você? Quando foi a última vez que se sentiu sexy sem pedir desculpas? Quando foi a última vez que se permitiu ser desejante — não só desejada? O que ainda te prende? O que ainda te impede de mostrar sua pele, sua força, sua fome?


As fotos que compartilho aqui não são apenas sobre estética. São sobre liberdade. Sobre lembrar que não preciso caber em expectativas, que posso ocupar o espaço com o meu corpo inteiro, com a minha história marcada na pele, com a minha presença. São sobre dizer, sem vergonha: eu sou sexy, sim — e não tenho a menor intenção de esconder isso.
O que você vê?
Marina Rotty
Um rosto bonito?
Um corpo bacana?
Uma loira nua, uma louca insana?
Uma amiga, uma devassa, uma aparecida?
Uma inspiração, uma heroína, mulher decidida?
Já me viram isso tudo e muito mais,
E quando eu me vejo pelas lentes das câmeras,
Ainda enxergo aquela menina que sonha, que tenta, cai e levanta.
Que ri fácil, mas chora também,
Que faz o melhor que pode
Todos os dias.
O que você vê?



“Uma cultura que fixa a mulher à sua aparência corporal como única forma de valor, nunca permitirá que ela envelheça.” (Naomi Wolf). A liberdade de uma mulher é ofensiva para um mundo que se sustenta no controle do seu corpo. E toda vez que uma de nós ousa ser inteira e mostrar que não veio ao mundo só pra passear, outras se inspiram para fazer o mesmo.
Não é sobre agradar. É sobre expressar. Não é sobre conquistar olhares. É sobre se olhar no espelho e estar feliz com o que vê, com tesão, com orgulho, com ternura. Se esse texto te provoca, que bom. Se te incomoda, melhor ainda! Talvez esse desconforto seja o primeiro passo para libertar o desejo que você ainda esconde em si mesma.

Beijossssssss!
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É isso!! Sim, é um ato político! Precisamos falar sobre e repensar muita coisa!! Arrasou 👏👏👏
Texto potente, necessario e libertador e com coragem em dizer em voz alta o que tantas vivem em silencio. Sexy é ser inteira (ou inteiro) em qualquer idade. Lindo texto e ótimas fotos
É isso mesmo!
Uma mulher quando é sexy e se sente sexy, não importando com as curvas, idades e etc…, ela exala a sexualidade e nós homens percebemos. Alias não tem coisa mais sexy numa mulher do que ela ser exatamente do jeito que é. Com o passar do tempo fica igual ao vinho, cada vez melhor. Com o tempo vem um plus que é a experiência de vida que faz uma ótima companheira.
Belas fotos e texto.
Um forte abraço.
Falou tudo Marcos! Quando a sensualidade começa dentro de nós, mulheres, todo o mundo percebe.
Beijossssssssssss