Intimidade e Vínculo

O casal estava pronto para conhecer o meio liberal. O relacionamento não.

Há alguns anos, um casal me procurou para conversar antes de dar os primeiros passos no meio liberal. Eles já tinham pesquisado casas, acompanhado perfis nas redes sociais, lido relatos e assistido a vídeos. Tinham combinado que fariam tudo juntos, que respeitariam os limites um do outro e que, se qualquer um dos dois se sentisse desconfortável, bastaria dizer. Aos olhos deles, estava tudo organizado.

Enquanto conversávamos, fiz uma pergunta simples: “Quando foi a última vez que vocês falaram sobre o que poderia dar errado?”

Eles se olharam por alguns segundos e sorriram. A resposta foi sincera: “Nunca.”

Naquele momento percebi que eles estavam preparados para conhecer um ambiente novo, mas ainda não tinham preparado a relação para o que esse ambiente poderia despertar.

A maioria dos casais acredita que o risco está do lado de fora.

Quando alguém pensa em entrar no meio liberal, costuma imaginar que os desafios estarão nas pessoas, nas festas, nas regras, nas experiências ou nos convites que irão surgir. Existe uma preocupação enorme em aprender como tudo funciona, entender a etiqueta do meio e descobrir o que pode ou não pode fazer. Mas, curiosamente, quase ninguém dedica o mesmo tempo para entender o que acontece dentro da própria relação.

O ciúme não nasce na casa de swing. A insegurança não existe porque outro casal entrou na conversa. O medo da comparação não surge na primeira experiência. Tudo isso já existe, em maior ou menor intensidade. Algumas emoções apenas permanecem escondidas até encontrarem uma situação que seja capaz de revelá-las.

Por isso costumo dizer que o meio liberal dificilmente cria problemas. Na maior parte das vezes, ele apenas ilumina questões que já estavam presentes – às vezes há anos! – mas ainda não tinham sido enxergadas pelo casal.

Será que é por isso que tantas histórias terminam da mesma forma?

“Se tivéssemos conversado mais antes…” Não é um arrependimento sobre a experiência em si, mas sobre aquilo que ficou sem ser dito.

Percebemos que muitos casais conversam bastante sobre fantasia, mas quase nunca chegam na parte “difícil”, na parte em que os parceiros mostram suas vulnerabilidades. Falam sobre desejos, mas evitam tocar nos medos. Criam regras, mas não entendem por que determinadas regras existem. Combinam limites sem perceber que, muitas vezes, o verdadeiro limite não está na prática, mas na emoção que ela desperta.

Quando essas conversas são adiadas, elas acabam acontecendo da pior maneira possível: durante ou depois da experiência, quando ambos já estão emocionalmente envolvidos.

Viver algo diferente não é “o” problema.

Ao longo da nossa trajetória conhecemos casais que fortaleceram profundamente a relação depois de entrar no meio liberal. Também conhecemos casais que decidiram nunca viver nenhuma experiência e, ainda assim, transformaram completamente a forma como se relacionavam.

O que fazia diferença entre eles não era o estilo de relacionamento escolhido: era a qualidade da conexão que construíram antes de tomar qualquer decisão.

Casais que aprendem a conversar com honestidade costumam enfrentar qualquer desafio com muito mais segurança, seja ele dentro ou fora do meio liberal. Eles conseguem discordar sem transformar a conversa em uma disputa. Conseguem dizer “não” sem culpa. Conseguem mudar de ideia sem sentir que estão decepcionando o outro.

No fim das contas, a maior conquista é construir uma relação capaz de ser base sólida em qualquer escolha.

Foi por isso que nasceu o Entre Casais.

Quando criamos essa imersão, nosso objetivo nunca foi ensinar casais a frequentarem o meio liberal. Existem muitos lugares que fazem isso. O que percebemos era que faltava um espaço onde o casal pudesse olhar para si mesmo antes de olhar para os outros.

Um lugar para conversar sobre ciúme sem sentir vergonha ou para entender como construir acordos que realmente façam sentido. Para compreender que limites não são sinais de fraqueza, mas formas de preservar a estrutura emocional que constitui cada individuo – muito antes deles estarem juntos em um relacionamento.

Para descobrir que maturidade relacional precisa ser construída. É esse trabalho que realizamos há tantos anos e que continua sendo o coração de tudo o que fazemos.

Um convite

Se vocês sentem que este é um momento importante da relação e querem dar os próximos passos com mais consciência, segurança e tranquilidade, gostaríamos de fazer um convite.

No dia 01 de agosto, em São Paulo, vamos reunir um pequeno grupo de casais para uma imersão presencial dedicada justamente a esse processo de preparação.

Não é um evento para convencer ninguém a viver o meio liberal. Também não é um curso sobre técnicas ou regras.

É um dia para fortalecer a relação de vocês, compreender as emoções que esse universo desperta e construir uma base sólida para qualquer decisão que façam daqui para frente.

Se esse convite fizer sentido para o momento que vocês estão vivendo, será um prazer receber vocês.

Clique aqui, baixe as informações e entre em contato conosco.

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