Aceite: Swing é Não Monogamia!
Tem coisa que a gente ouve por aí e pensa: “Ah, tá… então o nível do debate é esse?”
Está em todas as pesquisas, em todos os estudos, em toda a área acadêmica e científica no Brasil e no mundo… mas você ainda continua afirmando que swing não é não monogamia. Confesso que dá uma preguiça de explicar, falar, desenhar… porém, ao mesmo tempo, sei que muita gente entende o que eu digo, então, bora lá trazer esse assunto – polêmico – no meio liberal. Afinal: swing é não monogamia?
O fato é simples
Abriu um pouco, está aberto. Quebrou um pouco, está quebrado. Cortou um pouco, está cortado. Se você acha que swing não é não monogamia, talvez precise sentar, respirar fundo e aceitar. É até meio constrangedor ter que falar desse jeito, mas pra quem ainda resiste, o fato é esse: não é porque você não gosta do nome ou porque se considera monogâmico, que swing não é não monogamia.
Não monogamia é um pensamento, uma ideia, um movimento, que vai contra o padrão monogâmico. Veja bem: não é uma forma de relacionamento em si – e isso é importante ser compreendido. As pessoas podem ser monogâmicas e ainda assim viver relações que saem do padrão (ou seja, não monogâmicas).
Relacionamento não mono é qualquer configuração relacional onde não existe exclusividade simultânea — seja ela afetiva, sexual ou as duas.
Se a monogamia fosse um prato, uma lasca bastaria pra dizer que ele está quebrado?
Por mais que cada um tenha uma visão de mundo e compreenda as coisas baseado nas próprias vivências, a resposta a essa pergunta é sim: uma lasca quebrada no prato é suficiente pra afirmar que ele está quebrado, pois já não está inteiro. O mesmo podemos dizer da janela que foi aberta só um pouco – se chover, vai molhar. Menos do que se ela estivesse totalmente aberta, mas vai molhar.
Quando falamos em não monogamia, estamos falando em quebra de padrões monogâmicos. Oras… se existe um acordo, consensual, de transar com outras pessoas além do marido/mulher, helloooo-oooo! Vocês não são exclusivos um do outro! Vocês estão, sim, vivendo uma forma de não monogamia, quer goste ou não desse termo.
A resistência do swing ser não monogamia está no espelho
Muita gente tem medo — um medo quase visceral — de aceitar que o swing é, sim, uma forma de não monogamia. E isso não acontece por acaso. Não se trata só de semântica, de palavras ou de rótulos. O medo mora exatamente no espelho. Porque encarar que você pratica uma não monogamia — ainda que no campo sexual — é, inevitavelmente, encarar que você rompe, de alguma forma, com a lógica da monogamia que foi enfiada goela abaixo desde que você nasceu. E isso… isso não é só sobre o sexo. Isso é sobre identidade, sobre quem você acreditou ser a vida inteira.
Quando você se olha no espelho e percebe que já não cabe mais nas caixinhas que te ensinaram, que seus próprios desejos te colocam à margem do que te disseram ser “normal”, “correto” e “aceitável”, dá um frio na espinha. Porque aceitar isso não é só aceitar que o swing é uma forma de não monogamia. É aceitar que talvez outras certezas que você carrega — sobre amor, sobre compromisso, sobre fidelidade, sobre o que é ser casal — também possam estar sustentadas em pilares frágeis, herdados, impostos. E aí, meu amor, o abalo não é pequeno.
Nesse caso, caro leitor, negar o óbvio é um mecanismo de defesa. É mais fácil olhar parao swing, dizer que é “só diversão”, “só fetiche”, “só sexo”, e se convencer de que isso ainda é monogamia, do que encarar o desconforto existencial que surge quando você percebe que, sim, está questionando toda uma estrutura relacional que te foi ensinada como única e natural.
Afinal, se o swing é não monogamia… então talvez a monogamia não seja tão natural assim. E se não é natural… talvez ela não seja obrigatória. E se não é obrigatória… então o que mais eu estou vivendo no piloto automático sem nem questionar?
Vai ter que rever tudo
Swing, assim como a não monogamia, exige que a gente reveja as nossas certezas. E é aí que mora o pânico. Porque o problema nunca foi o sexo com terceiros. O problema é tudo o que esse sexo revela sobre você. Sobre suas crenças. Sobre suas estruturas internas. Sobre os acordos que você aceitou sem perceber. É sobre o desconforto de perceber que aquilo que parecia só um jogo, uma brincadeira apimentada, na verdade te expõe como alguém que já rompeu, mesmo que sem querer, com a lógica da exclusividade.
Por isso é mais fácil negar. É mais confortável sustentar a ilusão de que “sou só liberal, não tenho nada a ver com esse papo de não monogamia”. Porque admitir que você faz parte desse universo, ainda que de uma maneira específica e tentando controlar o incontrolável, é admitir que suas bases não são tão sólidas quanto você imaginava. E que talvez seja hora de rever não só os acordos da cama, mas também os acordos da vida.
No final das contas…
Nem todo mundo está preparado para essa conversa. Mas ela não deixa de existir e ser muito real só porque as pessoas não estão preparadas. Você pode até não gostar do nome, pode continuar dizendo pra si mesmo que é “só uma brincadeira apimentada pro casal”. Mas, amore swingueiro que não sai do meio liberal por nada: o Universo já te considera um herege da monogamia.
Beijossssssss