Coluna Marcio

Abrindo os olhos sobre o filme “De Olhos Bem Fechados” – Parte 1

Esse é um filme antigo, de 1999, mas continua atual, refletindo a realidade de quem não vive efetifamente o meio liberal.
Diferente do que muita gente pensou e pensa, o título desse filme não é sobre a festa.
Muita gente assiste “Eyes Wide Shut” ou “De Olhos Bem Fechados , em português” achando que o filme é sobre uma sociedade secreta, sobre sexo, ou sobre moralidade. Mas quem já tem maturidade sexual, quem já vive o meio liberal, percebe logo:
O filme na verdade é sobre o homem, Bill, personagem interpretado por Tom Cruise que é casado com Alice, personagem interpretada por Nicole Kidman.
Sobre o jeito como ele enxerga (ou não enxerga) o próprio desejo, o relacionamento, a parceira e sobre como a falta de comunicação destrói qualquer tipo de vínculo, seja monogâmico ou liberal.
Para uma análise mais profunda, vou dividir esse post em 3 posts:
1 – Mostrar que só entende realmente o filme quem vive o meio liberal e se aprofunda nesse lifestyle
2 – O que o filme revela sobre o conflito masculino Tesão x Ciúme
3 – O resultado quando o homem não resolve esse conflito
Escolhi esses três tópicos, mas o filme está repleto de lições e temas sobre o meio liberal que pode ser discutido. Um excelente tema para rodas de conversas e debates entre amigos do meio liberal.
E antes de continuar:
⚠️ Alerta de spoilers — leves, mas necessários.

1. O verdadeiro significado de “De Olhos Bem Fechados”

E essa é a metáfora central do filme. Bill passa o filme inteiro cego.
Cego para a própria imaturidade emocional.
Cego para as mentiras que conta a si mesmo.
Cego para o papel da esposa, Alice, tanto na vida sexual quanto na estrutura emocional do casal.
Ele tenta sustentar uma imagem de controle, o típico comportamento masculino, mas a verdade é que suas ações são movidas pela insegurança.

2. O comportamento do homem que tenta “ir sozinho”

Bill faz exatamente o que muitos homens fazem quando se interessam pelo meio liberal:
1 – inventa uma desculpa (mentira)
2 – deixa a parceira em casa
3 – tenta curtir o “prazer secreto” sozinho
4 – acredita que pode entrar no mundo liberal sem incluir sua parceira
No filme não funciona.
Na vida real funciona menos ainda. Logo a mentira é descoberta, pela parceira ou pelos membros do meio liberal e mentiroso sofre as conseguências.
O meio liberal é um ambiente onde transparência e parceria são a base.
Quando o homem tenta acessar isso sozinho, sem diálogo, vira exatamente o que Bill se torna:
alguém tentando forçar entrada em um espaço que não compreende.

3. No lifestyle, quem abre as portas é a mulher

Esse é um ponto que muitos homens só aprendem apanhando na prática.
No filme, mesmo como penetra, se Bill tivesse ido com Alice, ele teria vivido uma experiência totalmente diferente:

  • mais respeito
  • mais abertura
  • mais possibilidades
  • mais aceitação

A energia feminina é o centro do meio liberal.
É ela que abre portas para o casal e para a experiência.
Quando o homem tenta fazer tudo sozinho, se perde no caminho.
E o pior, pessoas ali na festa conheciam Bill e sabiam que ele era casado.

4. A cena da máscara: o colapso da mentira

Quando Bill entra no quarto de casa e encontra Alice deitada, dormindo e a máscara ao lado dela, a feição de Bill muda por completo. A mente dele deixa de pensar na festa e agora se dedica 100% em descobrir como ele iria explicar para Alice o que significava aquela máscara.
Aquele momento não fala de traição.
Fala de verdade.
É a hora em que ele percebe que mentiu não só para Alice, mas para si mesmo, que a parceira enxergou além do que ele imaginava e que o grande problema não era o desejo em si, mas a falta de honestidade.
Ali nasce o desconforto real para Bill: a queda da fantasia de controle masculino.

5. Comunicação: o que destrói o casal não é o lifestyle, é a mentira

O ponto mais importante do filme inteiro é este:
O perigo não está na fantasia.
Está na falta de diálogo.
A comunicação falha.

Relacionamentos monogâmicos terminam quando os parceiras não falam, não comunicam com transparência e honestidade.
Relacionamentos liberais também, afinal, precisam ter muita cumplicidade, honestidade e compreensão para poderem falar sem medo sobre fantasias, desejos e emoções.
No caso de Bill e Alice, a fantasia poderia não ser o problema, mas a mentira sim.
Sem comunicação, não existe vínculo capaz de resistir.

6. Maturidade sexual muda tudo

Assistir De Olhos Bem Fechados sendo monogâmico é uma experiência.
Assistir depois de viver o meio liberal, explorar fantasias com diálogo, encarar o próprio desejo, aprender a separar ciúme de insegurança, é outra completamente diferente.
O filme se transforma num estudo psicológico sobre:

  • masculinidade frágil
  • falta de consciência emocional
  • medo do desejo
  • culpa
  • vergonha
  • ambivalência sexual

Ele se torna um espelho. Passamos a olhar o filme vendo o nosso reflexo em diversos momentos. Nos enxergamos nas situações, nas reações, nos pensamentos, nos sentimentos.
Assisti esse filme umas 2 ou 3 vezes quando vivia um relacionamento monogâmico e quando assisti após estar em um relacionamento liberal, me reconheci no título “De Olhos Bem Fechados”. O filme que tinha assistido antes, apesar de ser mesmo, era outro completamento diferente! Realmente eu tinha assistido com “os olhos fechados” para a realidade do filme.

E você, já assistiu esse filme? Quando assistiu como enxergou o filme e como enxerga hoje?

Na próxima segunda, postarei a parte 2 “O que o filme revela sobre o conflito masculino Tesão x Ciúme”. Algo que passa desapercebido e que reflete muito do comportamento de Bill durante o filme.

Até lá!

Um comentário sobre “Abrindo os olhos sobre o filme “De Olhos Bem Fechados” – Parte 1

  • Eu assisti pela primeira vez com essa expectativa que o filme tratava sobre festas sexuais. Assisti com minha esposa com a ideia de ser o ponto de partida para conversarmos sobre swing (já tínhamos feitos algumas visitas a casas de swing, mas nada além disso).
    Como o filme não é sobre isso (até pelo contrario – mostra as mulheres como objetos descartáveis de prazer), fiquei frustrado e não refleti profundamente sobre o filme. Apenas o coloquei nas caixinhas do “não gostei”, “nada a ver com swing” etc.
    Agora com a provocação desse post de voces, assisti novamente ao filme, sem essa expectativa de algo liberal.
    Esse filme tem inúmeras camadas a serem abordadas e eu também precisaria escrever uns 3 artigos pra abordar o que penso sobre ele, mas como o artigo não é meu, fico apenas aguardando a segunda parte já que esse conflito masculino Tesão x Ciúme é algo que sinto em mim.
    Parabéns pela abordagem.

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