Terapia e Processos

É Normal se Arrepender de Viver uma Fantasia?

É normal ter remorso e se arrepender de viver estilo vida cuckold? Como acabar e viver sem?” Essa pergunta chegou até mim, Marcio, e resolvi trazer para refletirmos juntos. Acredito que essa não deve ser a pergunta principal. A pergunta deveria ser outra: porque sinto remorso, arrependimento ou culpa?
Entender esse sentimento sobre algo que deveria ser prazeroso é fundamental para entender a si mesmo e principalmente entender se essa é uma fantasia válida para ser vivenciada.

A fantasia nasce na mente

A fantasia é, antes de tudo, um produto da mente. Um espaço seguro onde o desejo pode existir sem risco, sem julgamento, sem consequência.
É ali, nesse teatro interno, que o ego brinca de ser livre. A imaginação nos permite explorar o proibido, o inatingível, o que o superego não deixaria existir na vida real.
Na mente, tudo é perfeito: o cenário, o corpo, o tempo, a emoção. Não há constrangimento, rejeição nem limite.
A fantasia é, portanto, uma forma de ensaio psíquico. Um lugar onde o desejo pode se expressar sem precisar lidar com o real.

Quando o desejo ganha corpo

Quando o que era apenas imaginado atravessa os limites da mente e vira ação, a realidade entra em cena com toda complexidade, ruídos, imprevistos, imperfeições e julgamentos.
A expectativa e imaginação dá lugar ao sentimento real, nosso sentimento se choca com o que esperávamos sentir.
A fantasia é construída no campo simbólico, onde o controle é total. A realidade, porém, é habitada por seres humanos e o humano é falho, vulnerável e imprevisível.
É aí que, muitas vezes, a fantasia se desfaz: não porque era errada, mas porque o real não tem o mesmo filtro da mente e vem carregado de sentimentos que não eram esperados.

O abismo entre o prazer imaginado e o vivido

É o choque entre o desejo inconsciente e o objeto real. Na fantasia, o prazer é puro. Na realidade, ele vem misturado com vergonha, culpa, medo, comparação.
E quando o prazer não alcança o ideal, surge a frustração, não apenas com o outro, mas consigo mesmo.
“Será que isso é certo? Não estou vivendo algo que não é pra mim?”
“Por que não foi tão bom quanto eu imaginava?”
A realização pode revelar não o gozo, mas a limitação. Porque a mente deseja o absoluto já o corpo, possível dentro das limitações pessoais.

A beleza da fantasia

Nem toda fantasia precisa ser vivida para ser verdadeira.
Muitas são belas justamente porque pertencem apenas ao mundo das ideias.
Fantasiar é humano, é saudável, é um diálogo entre o consciente e o inconsciente.
Mas viver uma fantasia é outra coisa. É enfrentar o espelho da realidade e ver se o que excitava na mente sobrevive à realidade.
E é aí que temos que decidir, ficar na imaginação ou ir para a prática?
E é assim que crescemos, conhecendo nossos próprios limites entre o prazer idealizado e o prazer possível.

E quando não realizar a fantasia?

A resposta é simples, nenhuma fantasia pode tirar a sua paz, o seu bem estar, a sua saúde mental.
Por mais excitante que seja a fantasia, se ela te traz remorso, culpa ou arrependimento, melhor rever a fantasia.
Muitas vezes ela não precisa ser abandona totalmente, mas deixada na gaveta até que você esteja realmente pronto para vivenciá-la.
A culpa ou remorso vem dos nossos limites, que foram construídos por experiências pessoais, meio em que vivemos, cultura, família, religião, ou seja, uma legião de fatores que formam nossa consciência.
Tudo isso nos leva à esses sentimentos após a realização das fantasias.

E agora, realizo ou não minhas fantasias?

Pra mim, a resposta é simples. Realize se após você se sinta bem, feliz, alegre, leve, sem culpa.
Não realize se essa fantasia te deixa para baixo, triste, com remorso, com culpa.
Nenhuma fantasia vale a sua paz, a sua saúde mental.

Fui!

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