Acordos Relacionais

Troca Separada Não é Relacionamento Aberto

Se você nunca ouviu falar da “troca separada”, voilá! Interessante que pouco se fala sobre esse formato de swing, mesmo com toda a abertura que a gente vê na mídia hoje. Mesmo aqui no blog – o último post sobre o assunto é de 2014 – embora ainda seja uma expressão utilizada no meio.

Quem vive o meio liberal, em geral, não curte o relacionamento aberto, porque gosta mesmo é do vuco-vuco de transar tudo junto e misturado. Daí que pré-conceitualiza e reduz o RA a “fazer separado” do parceiro, quando sabemos que há muito mais coisa envolvida em um formato de não monogamia consensual, seja ele qual for.

Frases como:

“Ihhh… começou a separar é o começo do fim…”

“Tá vendo? Mais um casal que ia pro swing separado e separou de vez”

“Se não tá junto não é liberal, nem swing”

funcionam como doses de reforço de uma ideologia liberal que de ‘liberal’ não tem muita coisa não. Afinal, se os swingers são livres para experimentar diversas formas de prazer que o meio oferece, por quê colocar a visão pessoal como regra geral em comentários como esses? Já sei, já sei… é pra dar trabalho pra Marina vir aqui e explicar tim tim por tim tim! (kkkkkk)

O Que é Troca Separada Afinal?

É quando a troca de casais rola em ambientes separados. Na maioria das vezes, os casais se encontram numa casa (ou num motel, flat, balada…) mas na hora do sexo ficam em ambientes diferentes, por exemplo: dois ficam na sala e os outros dois no quarto. Se é numa casa de swing, um par vai pra uma cabine, outro na cabine ao lado.

Alguns curtem trocar tudo, mas tudo, tudo mesmo! Não é só o sexo, é como se a esposa ganhasse um marido diferente, dormisse com ele, acordasse com ele, conversasse com ele, vivesse com ele o tempo todo. Esses casos sim, estão muito mais próximos de um relacionamento aberto do que de uma troca separada.

Qual a diferença?

A diferença está em algo simples de explicar, mas nem tão simples de enxergar. Relacionamento aberto tem a ver com afetividade, enquanto troca separada é uma ação. São colunas diferentes (relacionamento – prática sexual), exemplos:

RelacionamentoPráticas Sexuais
SwingerTroca de casal
AbertoSair sozinho
PoliamorTransar a três

Perceba que ser swinger é diferente de fazer swing. Assim como estar em uma relação aberta não significa necessariamente que todas as experiências sexuais serão separadas. Bem como nem todas as experiências de um liberal serão menage a trois.

Quando falamos de ação, falamos de práticas sexuais, e isso qualquer um pode fazer independente do tipo de relação. É só olhar os monogâmicos que fazem tudo escondido que isso fica claro! Agora, quando falamos de relacionamento, falamos de responsabilidade afetiva, de contratos entre os parceiros, de alinhamento de expectativas e desejos, e mais um monte de coisa complexa.

Pessoas bem resolvidas

De qualquer forma, se para a prática do swing é preciso que o casal esteja bem resolvido entre si, a prática da troca separada exige não apenas que o casal esteja bem resolvido, mas que o indivíduo esteja resolvido consigo mesmo.

Ela pode acionar gatilhos de traição, daquela dor mal resolvida, por que sua configuração está muito mais próxima do que acontece no mundo PB (preto e branco) do que no liberal, onde tá tudo junto e misturado.

Independente do que pode ou não acionar em cada um, a troca separada tá aí. É uma prática liberal super válida e não vai embora só porque um ou outro não curte. Agora me conta aí nos comentários: você já conhecia a troca separada? Já praticou ou tem vontade de fazer um dia? Adoro ouvir histórias dos leitores!

Beijossssssss

7 comentários sobre “Troca Separada Não é Relacionamento Aberto

  • Bom vamos lá! Casal acredito que o fato principal é a simplicidade de vcs falando na questão ” Mundo Liberal”. Já fiz parte, confesso que gosto muito, sedi minha casa para algumas resenhas e nessas resenhas conheci minha atual esposa. Hoje mesmo tendo um pé fora do liberl ainda sentimos muito quando se toca no assunto, e por incrível que pareça nunca fomos numa casa de Swing, é meu sonho! hoje deixo um pergunta para vcs: Como lidar com a situação de encaixe perfeito de um casal que sabe que se ama nesse momento de forma diferente dos nossos relacionamento anteriores, e daquela vontade ou necessidade de fazer uma baguncinha no bom sentido?
    Adoraríamos trocar experiências com vcs, esclarecer algumas dúvidas e etc…

    Um Abraço Zé

    Resposta
    • Zé, por segurança, nossa política de comentários não permite publicar contato de telefone, mas se quiser deixar email fique à vontade. Respondendo sua pergunta:
      1 – Amor não significa exclusividade. Isso é uma construção social que pode fazer sentido para uns, mas não para todo mundo.
      2 – De acordo com o conceito de orientação relacional, quanto mais próximo seu relacionamento estiver da sua orientação de relacionamento, melhor ele será. E pelo que vc escreveu, tanto vc quanto sua esposa curtem uma baguncinha. Sendo assim, parece que a orientação relacional dos dois são bem próximas – e estão no espectro do Amor Âncora, que inclui o meio liberal. Se for esse o caso, uma simples conversa entre vcs deve ser suficiente para conciliar o amor e a baguncinha.

      Espero ter ajudado!
      Beijosssssss

      Resposta
  • Eu estou longe de ser swinger mesmo, me considero entusiasta ainda.
    Acho que tudo leva tempo, não consigo sair “correndo” atrás do que eu ja queria ter feito ha anos e acabamos nao fazendo antes…

    Agora, tempo, devagar, pensando em quando/como/onde/com quem … vamos indo.
    A barreira do idioma e da cultura são enormes, muito, demais! 🙁

    Mas, eu espero muito o dia da troca separada, tipo vivendo um papel mesmo. Uma hospedagem, viagem junto(separado), nao sei… fantasio com esse dia, mas na real, quando ele chegar não sei se vou curtir. Depois eu conto!

    Resposta
    • Que legal, ficarei aqui na torcida por vocês!

      Beijossssss

      Resposta
  • Na única visita que eu e a namorada fizemos a uma casa de swing (o mal de não morar no RJ ou em SP), abordamos um casal e ela pediu pra me ver beijando a outra mulher só pra ver o que sentia. Comecei a beijá-la, ficamos assim um tempo e, quando olhamos pro lado, cadê os dois (minha namorada e o dela)? Procuramos um pouco e resolvemos entrar numa cabine. Deixei a janelinha de espiar aberta e mandamos ver. Nos vestimos, saímos e encontrei minha namorada sentada num cantinho esperando. Ela tinha tentado transar com o cara, ele não subiu, ela espiou a gente pela porta, sentiu várias coisas mas achou a imagem bonita e depois ficou esperando.

    Foi nossa primeira experiência liberal e nunca deu m* entre nós, que somos 100% não monogâmicos. Eu gostei bastante, curti a mulher, me soltei. Não sei se seria melhor com o casal porque acho que o cara não estava segurando a onda muito bem, mas acho que ainda prefiro com ela junto só porque a amo muito e tudo fica melhor com ela. Transar separado acaba sendo um tipo de experiência “conhecida”, apesar de muito boa.

    Resposta
  • Boa tarde,
    Queridos, em nossas experiências trocar separado não funcionou mais ou menos bem. Não por problemas de confiança ou insegurança. O que não funcionou foi o tesão. Em uma das vezes (foram 3 ) fomos na casa de um casal que já haviamos ficado uma vez e foi muito bom. Na segunda(eles tem um relacionamento aberto) sugeriram que fossemos em quartos separados. Topamos, ficamos um tempo separados mas, logo nos juntamos no mesmo quarto. Foi bacana. Em outras duas vezes, rolou de eu (homem) ficar com a outra esposa na sala e ela ir com o outro marido para o andar de cima. Não funcionou…passou um tempo nos encontramos na escada da casa pelados e com aquela cara de que não deu certo. No final foi até divertido. Em uma outra vez , estávamos em uma festinha e fizemos uma troca, depois outra. Na terceira, estava eu ( homem) com outra esposa e fui com ela para um cantinho no cafofo. Mas, também não fluiu. Nossa conclusão é que funcionamos melhor juntos, na mesma cama. Swingers raiz mesmo. Bjs e abs

    Resposta
    • Ótima contribuição, como sempre! Assim como qualquer prática, a troca separada só vai rolar se for um tesão para os envolvidos. Senão, a gente cai naquela de fazer por obrigação, e aí não vale a pena meeeeesmoooo!

      Beijossssssssss

      Resposta

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