Segurança e Saúde

Brincando de Adulto

Ah, a Semana da Criança! Aqui no Brasil, outubro chega trazendo o Dia das Crianças no dia 12, uma data cheia de nostalgia, presentes e brincadeiras inocentes. Quem não se lembra da época em que a maior preocupação era escolher o próximo jogo no recreio ou implorar por um sorvete? Ser criança é sinônimo de liberdade pura: sem contas para pagar, sem prazos apertados, só a imaginação correndo solta. Mas, como diz o ditado popular, adultos nada mais são do que crianças crescidas com brinquedos mais caros – e, eu diria, com brincadeiras que carregam responsabilidades bem maiores. E uma dessas “brincadeiras” adultas é o sexo, um território onde a inocência da infância muitas vezes se infiltra de forma inesperada e, por que não, divertida.

Não sou do tipo que gosta de infantilizar o sexo. Pelo contrário, acho que ele merece ser tratado com maturidade, desejo e honestidade. Mas vamos admitir: o mundo ainda está cheio de tabus quando o assunto é transa, foda ou qualquer sinônimo mais direto. Muita gente cora só de ouvir a palavra “sexo” e, para driblar o constrangimento, inventa um arsenal de eufemismos que mais parecem saídos de um playground. É como se, para falar de algo tão primal e adulto, precisássemos recorrer à linguagem das crianças. Por quê? Talvez porque o sexo desperte em nós uma vulnerabilidade que remete à infância: o medo do julgamento, a excitação da descoberta, a brincadeira sem regras claras. E aí, o que era para ser quente vira uma sessão de “faz de conta”.

Expressões clássicas

Pense nas expressões cotidianas que misturam o universo infantil com o erótico. “Tomar leitinho”, por exemplo, é um clássico que transforma o orgasmo masculino em algo tão inocente quanto beber um copo de leite antes de dormir. Ou “senta no colo do papai”, que evoca a imagem de uma criança no colo do pai, mas na verdade descreve a posição de cowgirl, com toda a sua intensidade sexual. E o que dizer dos diminutivos carinhosos? “Boquinha”, “chupadinha”, “bilauzinho” – palavras que soam fofas, como se estivéssemos falando de um bebê, mas que na hora H servem para suavizar o tesão. Até a voz muda: quantas vezes não ouvimos alguém adotando um tom de “iti malia”, aquela vozinha fina e infantil, para seduzir ou flertar? É como se o erotismo precisasse de um filtro de inocência para ser aceitável.

Não para por aí. A posição missionária, a mais básica e tradicional, é chamada de “papai e mamãe”, como se fosse uma brincadeira de casinha entre adultos. “Chupeta” vira sinônimo de sexo oral, remetendo ao bico que acalma bebês. E no mundo das siglas, temos a famosa MILF, ou “mãe que eu gostaria de foder” –, que transforma a maternidade em um fetiche sexualizado. Outras expressões como “nhanhar”, “nheco nheco”, “fazer coisinhas” ou “fuc fuc” soam como onomatopeias de desenhos animados, mas na verdade descrevem o ato sexual. Até brincadeiras coletivas da infância ganham conotações adultas: “pega-pega” pode virar uma perseguição erótica, “esconde-esconde” uma preliminar misteriosa, “pera, uva, maçã” ou “salada mista” se transformam em jogos de sedução. Sem falar nos doces: pirulito, sorvete, picolé e churros, símbolos da gula infantil, frequentemente usados como metáforas para partes do corpo ou atos sexuais.

Nostalgia e Desejo

No universo liberal, isso se expande para festas temáticas com fantasias de colegial, onde a inocência escolar é erotizada de forma consensual. Fantasias como “brincar de médico” ou “de casinha” viram role-plays que misturam nostalgia com desejo. É fascinante como a humanidade, ainda mal resolvida com o sexo, recorre à infância para descomplicar o prazer. Talvez porque, no fundo, o sexo devesse ser mais como uma brincadeira do que outra coisa: livre, criativa e sem julgamentos, desde que entre adultos responsáveis.

Eu, particularmente, prefiro termos mais vulgares e diretos na hora do tesão – algo que corta o papo furado e vai direto ao ponto. Mas entendo que cada um tem sua preferência. O importante é que tudo seja consensual, dentro das leis e com respeito mútuo. No final das contas, o Dia da Criança nos lembra que brincadeira na medida certa não faz mal a ninguém. Que tal aproveitar para resgatar essa leveza também no quarto? Menos tabus, menos vergonha, mais prazer. Vamos brincar?

Beijossssssssss

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