Sexualidade e Prazer

Quer transar menos com a sua esposa? Vire um filho para ela

Existe um erro que muitos homens cometem sem perceber.
Eles acreditam que o desejo da esposa desapareceu porque o casamento caiu na rotina, porque o tempo passou ou porque ela simplesmente perdeu o interesse.
Na maioria das vezes, a realidade é bem mais complexa. O desejo raramente morre de um dia para o outro. Ele vai sendo sufocado pela dinâmica que o casal constrói ao longo dos anos.
E existe uma dinâmica extremamente comum que destrói o erotismo de um relacionamento.
Quando o marido deixa de ser parceiro e passa a ocupar, emocionalmente, o lugar de um filho.

Amor e desejo não são a mesma coisa

Uma esposa pode continuar amando profundamente o marido. Pode cuidar dele, pode defendê-lo, pode admirá-lo como pai dos filhos, pode querer envelhecer ao lado dele, mas nada disso garante que ela continuará desejando esse homem sexualmente.
Essa é uma confusão muito comum.
Nós costumamos tratar amor e desejo como se fossem exatamente a mesma emoção. Não são.
O amor aproxima. Já o desejo, precisa de algo mais.

Isso normalmente acontece de forma silenciosa.

O dia em que ela começou a ser sua mãe

Ela começa lembrando um compromisso. Depois organiza a agenda da família. Resolve problemas que poderiam ser resolvidos por ele. Percebe tudo o que falta dentro de casa. Administra contas. Planeja férias. Marca consultas. Lembra datas importantes. Controla a rotina dos filhos. E, aos poucos, passa também a administrar a vida do marido.
Enquanto isso, ele nem percebe o que está acontecendo. Porque é confortável. Ela resolve. Ela lembra. Ela organiza. Ela pensa. Ela conduz.
Até que chega um momento em que ela já não se sente vivendo com outro adulto. Ela sente que existe mais uma pessoa dependendo dela.
E isso muda completamente a posição que ela ocupa na relação.

É muito difícil desejar alguém que você precisa criar, cuidar

Essa frase pode parecer dura. Mas vale a reflexão.
É muito difícil sentir desejo por alguém que depende constantemente de você para funcionar.
Quando a esposa precisa lembrar o marido de tudo, quando ela precisa dizer o que deve ser feito., quando precisa administrar a casa sozinha, quando precisa cuidar da saúde emocional dele porque ele não conversa com ninguém. Ela começa a exercer uma função muito parecida com a de uma mãe.
E maternagem e erotismo raramente caminham juntos.
Carinho continua existindo. Proteção também. Mas desejo é outra história.

Esther Perel explica isso de outra maneira

A psicoterapeuta Esther Perel costuma dizer que o amor busca segurança. Já o desejo também precisa de alteridade.

Essa palavra parece complicada. Mas a ideia é simples, precisamos continuar percebendo que existe uma pessoa inteira diante de nós. Alguém que continua crescendo, aprendendo, mudando, criando, pensando, vivendo.
O desejo nasce quando encontramos alguém que ainda consegue nos surpreender. Não porque faz mistério, mas porque continua vivo.

Individualidade não é distância

Muitos homens interpretam essa ideia de forma equivocada. Acham que precisam esconder sentimentos. Ser frios, criar mistério, fazer joguinhos, mas não é nada disso.
Ser um indivíduo não significa criar distância. Significa não abandonar quem você é. Continuar tendo amigos, cultivar interesses, ler, estudar, praticar esportes, construir projetos, desenvolver sua carreira, cuidar da própria saúde física e emocional, ter opiniões, tomar decisões, assumir responsabilidade.
A novidade não nasce do segredo. Ela nasce do crescimento.

Um casamento precisa de dois adultos

Talvez essa seja a frase mais importante deste texto. O desejo dificilmente sobrevive quando a relação deixa de ser horizontal.
Quando um cuida permanentemente e o outro é permanentemente cuidado, quando um conduz e o outro espera ser conduzido, quando um pensa por dois e o outro apenas acompanha, o interesse real pelo outro esfria.
Toda relação erótica pressupõe um encontro entre dois adultos. Não entre uma mãe e um filho.

E isso também acontece no meio liberal

Existe uma fantasia muito comum de que entrar no meio liberal resolve problemas relacionados ao desejo. Como se novas experiências fossem suficientes para reacender a vida sexual. Na prática, vemos exatamente o contrário. Casais que chegam ao meio liberal carregam para dentro dele a mesma dinâmica que vivem em casa.
A esposa continua organizando tudo. Ela escolhe os eventos, conversa com outros casais, define os limites, gerencia as emoções do marido, controla inseguranças, percebe os riscos. Enquanto isso, ele apenas acompanha.
Em casos assim, o desejo dela cresce, mas pelos outros, não pelo próprio marido.

É claro que pode acontecer também o oposto, o marido acabar conduzindo absolutamente tudo.
A esposa apenas obedece.
Nos dois casos existe um desequilíbrio. E desequilíbrios costumam aparecer com muita força quando o casal começa a experimentar novas formas de viver a sexualidade.

O meio liberal não cria os problemas do relacionamento.
Ele apenas ilumina aquilo que já existia.

A liberdade não sustenta um relacionamento que perdeu a parceria

Ao longo dos anos acompanhando casais, percebi uma coisa, os relacionamentos mais saudáveis dentro do meio liberal não são necessariamente os mais experientes. São aqueles em que existe parceria.

Dois adultos. Dois indivíduos. Duas pessoas capazes de conversar, de assumir responsabilidades, de lidar com frustrações, de dizer “não” quando necessário. Que respeitam o tempo do outro. Que cuidam da própria vida emocional.
Quando isso existe, o meio deixa de ser uma fuga.
E passa a ser apenas mais uma forma de viver a intimidade.

O desejo não morre porque vocês se conhecem demais

Ele costuma enfraquecer quando vocês deixam de crescer. Quando um deixa de enxergar o outro como parceiro. Quando a admiração desaparece. Quando a responsabilidade deixa de ser compartilhada ou quando a relação deixa de acontecer entre dois adultos.

A intimidade não destrói o desejo.
A dependência pode destruir.

Um convite para olhar além da sexualidade

É exatamente por isso que, na nossa Imersão Entre Casais Liberais, que acontecerá no dia 1º de agosto, nós não falamos apenas sobre sexo.
Falamos sobre relacionamento, sobre confiança. Sobre comunicação, sobre ciúmes, sobre autonomia, limites, sobre intimidade. E, principalmente, sobre como continuar escolhendo um ao outro depois que a paixão inicial dá lugar à vida real.

Porque viver o meio liberal de forma saudável não depende apenas de regras. Depende da qualidade da relação que existe antes mesmo de qualquer experiência acontecer.

Se vocês querem construir uma relação mais madura, mais segura e com espaço para que o desejo continue vivo ao longo dos anos, será um prazer receber vocês nessa imersão. Afinal, o maior desafio de um relacionamento nunca foi descobrir novas formas de fazer sexo.

O verdadeiro desafio é continuar sendo dois adultos que ainda conseguem olhar um para o outro com admiração, curiosidade e desejo.

Quer saber mais sobre nossa Imersão? Clique aqui, baixe as informações e entre em contato conosco.

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