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O meio liberal de hoje e as contribuições do portal

Quando eu e a Marina começamos a falar publicamente sobre swing, em 2011, éramos um casal como qualquer outro, contando experiências, compartilhando dúvidas, descobertas e situações que faziam parte da nossa vida sexual.

Com o tempo, percebemos que havia algo maior acontecendo. As pessoas não chegavam até nós apenas para saber como era uma casa de swing ou ler histórias picantes. Elas queriam entender como conversar com o parceiro, lidar com ciúme, estabelecer limites, dizer não, enfrentar inseguranças e descobrir se aquele universo realmente fazia sentido para elas.

Foi aí que nossa relação com o meio liberal começou a mudar. Deixamos de apenas viver experiências e pensamos: é hora de organizar aquilo que estamos aprendendo.

Contribuições do portal sobre swing no Brasil

1. Dicionário

Uma das primeiras coisas que percebemos era a dificuldade dos iniciantes para compreender até mesmo a linguagem usada no meio. Em 2014, organizamos o Dicionário do Swing, reunindo termos e expressões que circulavam nas casas, comunidades e conversas entre praticantes.

Pode parecer algo simples hoje, quando praticamente qualquer dúvida pode ser pesquisada em segundos, mas naquela época muita informação era restrita a alguns privilegiados que encontravam, sem muito direcionamento público, um grupo liberal ao qual pertencer.

O dicionário continua disponível no nosso acervo e representa bem uma característica que acompanharia nosso trabalho dali em diante: tentar transformar experiência em informação acessível.

Conheça o Dicionário do Swing

2. Curso para Casais Liberais

Em 2017 demos um passo maior e desenvolvemos o Curso para Casais Liberais. Não queríamos ensinar ninguém a ser swinger. A proposta era oferecer informação para que cada casal pudesse compreender melhor aquilo em que estava entrando.

Falávamos sobre acordos, comunicação, consentimento, prevenção, ciúme, expectativas, comportamento dentro das casas e, principalmente, sobre a necessidade de os dois estarem realmente envolvidos naquela decisão.

O projeto acabou chamando a atenção da imprensa. A Marie Claire publicou uma reportagem sobre o curso e o UOL enviou uma jornalista para participar de uma turma e contar a experiência.

Leia a reportagem da Marie Claire

Leia a experiência publicada pelo UOL

3. A Semana Liberal

Durante a pandemia, veio a ideia de criar a Semana Liberal. A ideia era reunir diferentes vozes para discutir não apenas swing, mas ménage, relacionamentos abertos, poliamor, sexualidade e outras formas de viver relações.

A primeira edição, realizada em parceria com o Sexlog, alcançou aproximadamente quatro mil pessoas, segundo reportagem do UOL TAB.

Para mim, aquele projeto deixou muito evidente algo que já percebíamos: existe uma enorme diferença entre simplesmente praticar alguma forma de não exclusividade e conseguir conversar seriamente sobre ela.

Leia a reportagem do UOL TAB sobre a Semana Liberal

4. Introdução do Dia do Swing no Brasil

Outra história que começou em 2017 foi o Dia do Swing.

Conhecemos a comemoração durante um cruzeiro liberal internacional. Depois disso, fomos pesquisar sua origem e começamos a divulgar no Brasil o segundo sábado de agosto como uma data dedicada à comunidade swinger.

A comemoração foi ganhando espaço, primeiro entre pessoas do meio, depois em casas, eventos e veículos de comunicação.

Anos mais tarde, matérias do Jornal de Brasília, O Povo e Band registraram nosso papel na introdução e difusão da data no país.

Jornal de Brasília: a origem da comemoração no Brasil

Band: o Dia do Swing no Brasil

Trajetória individual

Marina Rotty: da experiência no meio liberal à pesquisa sobre relacionamentos

Essa trajetória conjunta também produziu caminhos individuais.

A Marina é terapeuta, sexóloga e escritora, com formação em Psicologia e mais de dez anos de experiência em consultório clínico. Consultora de não monogamias para Marie Claire e Globoplay.

Ao longo do tempo, seu trabalho se concentrou cada vez mais em sexualidade, vínculos afetivos e diferentes formas de relacionamento.

Ela publicou O Manual Mínimo do Casal Swing (2017) livro que traz reflexões sobre as experiencias no swing e, posteriormente, Orientação Relacional: O Amor do Seu Jeito (2026), livro em que desenvolve um conceito inovador, onde a forma de se relacionar pode estar ligada à identidade de cada pessoa.

Também realizou uma pesquisa com 173 brasileiros ligados ao swing, reunindo dados sobre motivações, ciúme, acordos, segurança e impactos da experiência nos relacionamentos.

Sua frase mais conhecida resume bem o ponto de onde ela parte:

“Amor sem liberdade não é amor, é medo.”

Marcio Wolf: Minha trajetória com psicanálise, masculinidades e saúde emocional masculina

Minha história profissional começou em outro lugar.

Trabalho com tecnologia há mais de 30 anos e essa continua sendo uma parte importante da minha vida. Mas, paralelamente, aprofundei minha formação em psicanálise e passei a atuar também com saúde emocional masculina, masculinidades, sexualidade, intimidade, autoconhecimento e relacionamentos modernos.

Depois de tantos anos ouvindo histórias de homens e casais, percebi como desejo, medo, ciúme, autoestima, vulnerabilidade e dificuldade de comunicação atravessam praticamente todas as formas de relacionamento.

O meio liberal acabou sendo também um enorme campo de observação das relações humanas.

No fim, nunca foi apenas sobre swing

Hoje, quando olho para tudo o que construímos, vejo o Dicionário do Swing, o Curso para Casais Liberais, a Semana Liberal, o Dia do Swing, livros, pesquisas, SalaZ, CasaZ, Ponto Z Podcast, palestras, entrevistas e milhares de conversas.

O que começou como blog sobre uma prática sexual, chegou ao centro de tudo: pessoas.

Escrever aqui no portal é falar sobre como amamos, desejamos, sentimos ciúme, estabelecemos limites, fazemos acordos, erramos, mudamos e tentamos construir relações que façam sentido para quem realmente somos.

Sem dúvida essa é a contribuição da qual mais me orgulho: nosso portal mostrou que falar sobre o meio liberal não é apenas falar sobre sexo.

Fui!!!

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