E depois de muito tempo finalmente saiu a inauguração da nova Inner Club! E nós fomos lá conferir de perto, afinal, trata-se da casa de swing mais tradicional do Brasil.
Há muito tempo nós comentamos aqui no blog que a Inner precisava de uma reforma total e irrestrita para se ajustar aos tempos atuais. São 23 anos de existência e durante esse período – no mesmo local – rolaram reformas, mas nada que mudasse a “cara” do lugar. Sempre que íamos lá parecia que estávamos entrando num túnel do tempo, afinal era do mesmo jeito há 15 anos quando fomos pela primeira vez.
Nossa história
Aliás, a história de Marina e Marcio anda muito próxima com a história da Inner. Nos casamos em 1999, a Inner abriu em 1999. Na época, Marcio convivia com os filhos do dono e chegamos a conhecer a Inner antes mesmo de pensarmos em swing.
Fomos em um aniversário da família, o reservado estava fechado mas ficamos ali na pista de dança. Anos depois é que resolvemos conhecer a casa com a intenção de entrar no meio e só então, dessa vez, é que a gente conta como nossa “primeira vez” no swing.
Começamos a frequentar a casa toda semana, ganhamos um sorteio de páscoa e levamos um ovo de chocolate de 5 kg pra casa. Nos últimos anos, vamos à Inner quando queremos sexo certo, porque na nossa opinião, é a casa que melhor cumpre esse papel de playground sexual mas não curtíamos o “mood” escuro e retrô, pra passar mais de 1 hora lá dentro.
Sofisticação
Então imaginem a nossa felicidade quando vimos as novas instalações da Inner. Finalmente entramos em um ambiente sofisticado, de classe, bem decorado, com alta visibilidade, mezanino, bares… Duas coisas me vieram à mente: um salão de bar de um cruzeiro (pela disposição do palco e mesas) e a antiga Nefertitti da Augusta (pela possibilidade de shows além de striptease).
Ficou claro que a ideia era manter o máximo possível da identidade da Inner antiga desde o estacionamento: pra quem chega de carro a entrada é discreta, o carro já entra no estacionamento e a gente desce e dá entrada na comanda sem ser visto por quem passa na rua.
Andamos por um longo corredor preto até chegar ao salão principal: um enorme galpão com a pista de dança no centro e os costumeiros queijinhos nos quatro cantos. Ao redor da pista, os tradicionais sofás, alguns arredondados nas pontas, trazendo curvas e modernidade ao espaço. São 3 ou 4 fileiras de sofás de cada lado da pista mais uma fileira de sofás encostadas nas paredes do ambiente. Estas estão a um ou dois degraus de elevação. Impossível contar quantos sofás tem nesse ambiente, mas seu eu fosse chutar, diria 250 sem contar o mezanino.
Mezanino
Pra nós o melhor espaço da casa! De lá de cima a gente tem uma visão quase que 360º da pista! Os sofás são mais requintados e confortáveis do que os de baixo e ainda tem mesas altas bistrô próximas ao bar – todas de frente para o parapeito, proporcionando uma vista de tudo o que acontece lá embaixo, literalmente, de camarote.
Não sabemos como vai funcionar o acesso ao mezanino, mas na inauguração da nova Inner Club, o acesso estava restrito aos convidados VIP. A bebida era open, havia uma mesa de petiscos à vontade e ainda tinham garçons servindo coquetel a noite toda.
Reservado
Assim como no estacionamento e na pista, a intenção de manter a nova estrutura o mais parecido possível com o que já estávamos acostumados também é percebido no reservado. Há dois acessos: o do lado direito da pista dá no cinema que fica de frente para a sala coletiva com a cortina de dark room. O do lado esquerdo dá num corredor estreito com algumas salinhas que vai para os banheiros.
O ônibus tá lá, gente, não se preocupem! Assim como a masmorra, o vale tudo, e até o labirinto numa versão reduzida e mais lógica (eu ouvi um amém?). Também é impossível contar quantas salas para interação tem a nova Inner, quem sabe a gente consegue essa informação mais pra frente. Mas uma coisa é fato: ninguém fica sem transar por falta de espaço!
Inauguração da Inner Club
“Essa casa começou a ser desenhada na pandemia e hoje é uma realidade“, foi uma das frases que os responsáveis pela Inner falou pra gente enquanto conversávamos no mezanino.
“Queremos que as pessoas venham e tenham seu lugar pra sentar confortavelmente, sem se preocupar em sair e ter outra pessoa sentada na mesa quando voltarem”.
Direção Inner Club
Nova Inner Não é Balada
Algumas características garantem que a Inner não vai entrar no campo das baladas liberais:
Pista reduzida – apesar de ter espaço de sobra, a pista de dança não é gigante. A intenção é dançar para sensualizar e destravar alguma barreira, não passar a noite toda fritando.
Ausência de palco – a cabine do DJ fica no mezanino, distante da pista. E o fato de não ter palco sugere que a grande atração da casa é a interação sexual no reservado.
Estilo musical – existe no meio a ideia de que balada = música eletrônica. E algumas pessoas comentaram conosco na inauguração que a música da Inner já estava mais eletrônica. Saímos de lá as 3 da manhã quando começou o funk, até então tudo que ouvimos foi eletrônico comercial, de 10 anos ou mais. A gente gosta desse estilo? Sim, mas isso não configura a Inner como balada liberal.
Fumódromo – pequeno, sem conforto e sem som, o formato do fumódromo tem mais a ver com casa de swing do que com balada liberal.
Agora é sua vez de ir conhecer as novas instalações da Inner Club!
Rua Henri Dunant, 862 – Sto Amaro – São Paulo
Opinião Pessoal
Como swingers, não poderíamos estar mais satisfeitos com a inauguração da nova Inner Club. É com grande orgulho que dizemos que temos em São Paulo o melhor dos mundos: a melhor balada liberal e a melhor casa de swing.
Com o novo espaço, na região super prestigiada do Morumbi, a Inner coloca o swing brasileiro nos holofotes com uma estrutura sofisticada e de qualidade. A gente se sentiu muito bem, principalmente no mezanino. Passaríamos horas ali, bebendo, observando o movimento e se divertindo.
Pontos de Atenção
Há porém, alguns pontos que precisam de atenção na nossa humilde opinião. Assim como em toda inauguração – e a gente evita ir em qualquer inauguração por conta disso – houve muita dificuldade pra pegar bebida. A fila do bar chegou a ultrapassar e espaço da pista.
- A superlotação prejudicou o conforto em todos os setores.
- Algumas mesas não tinham o botão de atendimento
- Apesar do corpo de trabalhadores ter sido aumentado, faltou garçom pra tanto cliente.
- Fumódromo muito pequeno. Mesmo entendendo a motivação, ainda achamos proporcionalmente pequeno em relação ao restante da casa.
- Não tem banheiros no mezanino.
- Levei, de novo, mãozada na bunda e no peito sem a minha autorização.
Passada de Mão
E pra mim, Marina, esse é o ponto que mais me repele na Inner: a pegação no meu corpo sem consentimento. A fama que corre no meio sobre a Inner é que lá “é assim que funciona”. E minha história no meio, que começou na Inner, tem claramente a divisão entre achar que swing é isso – deixar que qualquer um passe a mão onde quiser em mim – e entender que swing é consentimento – passa a mão no meu corpo quem eu permito.
Fui duas vezes ao banheiro na inauguração da nova Inner Club. Na primeira havia uma fila de homens encostados no corredor em frente ao banheiro – uns 10 pelo menos. Algum deles passou a mão na minha bunda. Na segunda vez, o Marcio estava comigo, eu ia na frente e mal passei da entrada já levei uma mãozada no peito. Um casal que passava no sentido contrário, ou seja, estava INDO EMBORA do reservado, a mulher ia na frente, passou primeiro e o cara, de mãos dadas com ela, passou por mim e achou que tinha o direito de botar a mão no meu peito, assim do nada.
Tirei a mão dele na hora e fiquei segurando, apertando na força do ódio! Devia ter cravado a unha até sangrar. E nem assim o covarde olhou pra trás, nem puxou a mão de volta ou sequer alguma atitude de desculpas. Pois eu tenho o dever social (e ainda tô morta de ódio!) de avisar qualquer um que pense dessa forma:
ISSO É CRIME!
Lei de Importunação Sexual nº 13.718, de 2018
Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro: (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
E como eu conheço as pessoas que estão à frente da Inner, tenho certeza de que NÃO COMPACTUAM COM CRIMES DE NENHUMA ESPÉCIE. Portanto, para segurança de todos os clientes incríveis que vão frequentar essa nova casa incrível, sei que tomarão as devidas providências para que esse tipo de passada de mão, despropositada, desrespeitosa e sem consentimento da parte importunada, seja desvinculado da prática do swing de uma vez por todas.
Avaliação MM
4,8
Temos por costume avaliar as casas de swing por onde passamos com nota de 0 – 5.
Só não ganha 5 estrelas por causa da importunação sexual e porque não tem banheiros no mezanino.
Beijosssssssssssss

