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Especialistas do Nada, Autoridades do Absurdo

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Estamos vivendo momentos conturbados. Dias difíceis pelas pandemias que estamos passando. Coloquei pandemia no plural pois acredito que estamos enfrentando não só a Covid-19, mas também a pandemia do absurdo, da falta de cultura, falta de pensamento e senso crítico, falta de educação.

Na contra mão do controle do contágio do coronavirus, o confinamento fez que com que essa pandemia do absurdo explodisse. Ficar em casa ajuda a controlar o contágio da Covid-19, porém, faz com que tenhamos mais tempo livre e com isso o surgimento de especialistas do nada, autoridades do absurdo foi inevitável. Todo dia leio e recebo informações dos mais diversos temas. Existem coisas realmente interessantes de se ler e pensar sobre elas, mas a grande maioria são coisas absurdas! O que está surgindo de “especialistas” e “autoridades” nesses tempos é algo que beira à fantasia, coisa de filme mesmo.

Por esse motivo denominei esse efeito que estamos vivendo de “especialistas do nada” ou “autoridades do absurdo”. O mínimo para você se intitular um especialista ou uma autoridade sobre qualquer tema é ter o conhecimento profundo sobre ele, adquirido por anos de estudo, anos de vivência ou anos de experiência.

Reflexões em tempos de coronavirus

Estava lendo um artigo muito bom escrito pelo Karnal e pelo Cortella feito para a Veja, chamado “reflexões em tempos de coronavirus” que fala justamente sobre isso que estou colocando.

Olhem que interessante isso que o Karnal escreveu: ‘Junto com a crise nós vivemos um aumento da irracionalidade, de negação da ciência e de busca por caminhos que não sejam os mais indicados. Quem pode dar bons conselhos sobre teologia são padres, pastores, teólogos e assim por diante. Quem pode me dar bons conselhos sobre doenças? São médicos infectologistas e especialistas em epidemias. Essas pessoas não são convergentes sobre tudo, mas são a autoridade. Eles podem podem errar, mas errarão menos do que eu, que sou um historiador. Eu posso falar sobre infecções passadas, mas eu não tenho a menor ideia sobre como se combate uma infecção hoje. As pessoas confundem opinião com argumento. Esse é um elemento ruim desse momento. Às vezes deixamos que o grupo de WhatsApp, que reforça minha ideia porque tem identidade comigo, seja meu guia‘.

Perfeito né?

Trazendo um pouco para o nosso lado do Swing e Mundo Liberal, estamos percebendo uma explosão de “especialistas” surgindo no assunto. Nada contra, desde que sejam realmente especialistas! Tem gente divulgando curso, ensinamentos, filosofias e quando paramos um minuto para ler quem são e qual a experiência desses “especialistas” ficamos decepcionados.

O perigo

O perigo de tantos “especialistas” e “autoridades” estarem divulgando os seus ensinamentos é justamente o fato de que esses ensinamentos podem estar errados, vazios, não fazem sentido ou simplesmente não se sustentam. Isso ocorre pelo simples fato de que não adianta apenas ter a experiência do meio liberal – que não tem base científica; mas é preciso ter outros conhecimentos cientificamente embasados e reconhecidos que lidam com pessoas e relacionamentos que, aliados à vivência do swing, compõem um perfil que se possa chamar de especialista liberal. Por exemplo: pedagogos, psicanalistas, terapeutas, sexólogos… que também vivam o mundo swinger.

“Especialistas” em swing que não sabem a diferença entre um casal swinger e um casal cuckold. Singles que nunca tiveram uma namorada, noiva, esposa, no meio liberal e se intitulam como especialistas em Swing, que por definição é troca de casal.

À propósito: swing é casal e quem nunca o praticou com a pessoa amada (com a pessoa amada, não com qualquer uma que levou pra casa de swing) acredita que é tudo a mesma coisa. Não é. Swing para casal é um, para solteiro é outro – apesar de serem as mesmas festas, os mesmos conceitos, as mesmas práticas; a intenção e o modo de lidar com pensamentos e sentimentos é completamente diferente. Por isso se vê dois mundos distintos dentro de um só: o de casais e o de solteiros.

No mesmo artigo, Cortella fala: ‘Nós estamos vivenciando uma percepção dos nossos limites em relação àquilo que é a mera opinião. Isto é, não basta eu achar. Nessa hora, a ideia de que eu tenho o direito à minha opinião é inegável. O artigo quinto da Constituição garante a livre expressão. Mas o fato de eu ter direito à opinião não significa que essa opinião esteja certa’.

Ter opinião sobre qualquer tema que seja não te torna especialista nele e nem é sinal que essa opinião é correta.
Existem coisas muito boas relacionadas ao swing surgindo, e isso nos deixa super felizes. Porém, ver tanta coisa equivocada, sem qualidade e completamente sem nexo sendo espalhada nos deixa tristes. Tristes por estarmos lutando há anos para que o mundo entenda melhor a filosofia do mundo swing e vermos que muito está se perdendo com esses novos “ensinamentos”.

Meu Pedido

Que a luz do entendimento, do estudo, do senso crítico nos ajude a passarmos por esse momento. Não acredite em tudo que você lê, não acredite em tudo que você recebe nos grupos de whatsapp, não acredite que todo curso, ensinamento é fundamentado e correto.

Que a nossa senhora da dúvida faça com que estudemos mais e busquemos a verdade. Entender quem são esses “especialistas” ajudará a descobrir se o que estão passando faz sentido ou se é apenas um devaneio criado em algum momento de tédio ou ócio. O swing é um lugar onde ninguém, de fato, precisa dar a cara a tapa; e se torna um paraíso para quem quer tirar vantagem do próximo.

Encontrou um especialista? Leia sobre ele, pesquise, procure referências, veja seu perfil nas redes. Na dúvida pergunte se ele é realmente capacitado para se intitular autoridade. Só assim você não será enganado pelos especialistas do nada e pelas autoridades do absurdo.

Fui!

*fonte: https://veja.abril.com.br/saude/karnal-e-cortella-reflexoes-em-tempos-de-coronavirus/

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