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A Conversa Mais Difícil do Meio

Se você já pensou em abrir a relação ou se aventurar pelo meio liberal, é bem provável que tenha passado por essa fase: pilhas de livros sobre o assunto, podcasts no fone de ouvido, horas e horas conversando com a parceria para definir regras, alinhar limites e desenhar todos os cenários possíveis.

A gente faz isso porque dá uma sensação de controle, né? Afinal, na nossa cabeça, se a gente combinar tudo bonitinho e mantiver uma “comunicação aberta, honesta e assertiva”, nada vai dar errado. Mas deixa eu te contar uma coisa de quem vive e acompanha centenas de casais de perto: tratar a não monogamia só como um desafio de comunicação com o outro pode te fazer rodar em círculos sem sair do lugar.

Mas calma lá: não estou dizendo que conversar não seja importante. Lógico que é. Acontece que a busca pela “comunicação perfeita” e pelo “acordo blindado” pode virar uma cortina de fumaça. Uma tentativa desesperada da nossa mente de se proteger do desconforto inevitável – estamos saindo da zona de conforto.

A verdade é que a conversa mais difícil do meio liberal é aquela que começa dentro da sua cabeça quando o bicho pega.

A reunião de emergência interna

Essa conversa interna é aquela que começa sem aviso prévio:

Nesses momentos, não adiantam os dez livros que você leu, os 200 podcasts que você ouviu ou os 1000 conselhos que você achou no Tik Tok. A sua mente entra em modo de sobrevivência. E se você não souber o que fazer com você mesmo quando esse furacão passar por dentro, a tendência é correr para o outro e exigir mais regras, mais conversas, mais garantias.

Só que a não monogamia funciona em um terreno onde a previsibilidade é bem baixa. Não dá para criar um acordo para cada olhada que vocês recebem na balada.

O que realmente ajuda?

Relacionamentos liberais que dão certo não são feitos por pessoas que nunca sentem ciúme ou insegurança. Eles existem em pessoas que desenvolveram a habilidade de não se abandonarem quando a tempestade emocional chega na parada.

Em vez de tentar controlar o imprevisível – mudando o outro ou multiplicando combinados – o verdadeiro trabalho é aprender a:

  1. Olhar de frente para o desconforto: Sentir ciúme ou incerteza sem achar que precisa tomar uma atitude imediata ou “resolver” aquilo no exato segundo em que eles aparecem.
  2. Investigar com curiosidade, não com julgamento: Em vez de se punir (“Poxa, achei que eu já tinha superado isso”), olhar para essa parte que está assustada e perguntar: “Do que eu estou realmente com medo agora?”.
  3. Diferenciar o que é real e o que é imaginação: Entender que a novela cheia de drama que a sua mente criou para te proteger não é, necessariamente, a realidade do que está acontecendo.

Quando a gente aprende a ser um porto seguro para nós mesmos, a comunicação com o outro muda de figura. Ela deixa de ser uma tentativa de aliviar a nossa ansiedade a qualquer custo e passa a ser uma ponte real de troca, vulnerabilidade e intimidade.

Da próxima vez que a incerteza bater por aí, antes de puxar mais uma DR de três horas para reescrever os combinados, faz uma pausa. Respira fundo e dá atenção para a pessoa que mais precisa de escuta naquele instante: você.

Beijosssssssssss

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