Me fizeram essa pergunta há uns anos e eu fiquei com a dúvida na cabeça: porque a gente não vê mulheres 45+ no swing? Tentar adivinhar os motivos de poucas mulheres com mais de 45 se ‘mostrarem’ como liberais é uma coisa; ser uma mulher 45+ se ‘mostrando’ como liberal é outra. E eu confesso, que esperei ansiosamente por esse momento para compreender o que se passa comigo e, a partir disso, poder responder a essa pergunta.
Logo mais eu completo 46 anos de idade. E tem tanta coisa que mudou depois dos 40 que foi preciso alguns anos para me reorganizar, me ressignificar e seguir em frente. Não considero que as mudanças terminaram, pelo contrário, acredito que ainda vão pelo menos uns 7 anos carregados de transformações. E o que eu faço nesse tempo todo, paro de transar? Não vou mais no swing? Não faço mais gang bang?
Pra quem é sexlover de carteirinha como eu, deixar de fazer o que gosta não é uma boa ideia. Até porque, com tantas mudanças acontecendo no corpo ao mesmo tempo, fazer o que se gosta é uma forma de manter a sanidade mental.
Entretanto é importante dizer que nada precisa ser como sempre foi. Podemos sim seguir no swing sem ter que passar a noite inteira em claro, em cima do salto, dentro de uma balada. Muito menos precisa ser todo dia, toda semana, toda hora.
Mudança Visual
Estou 8 kg acima do meu peso de sempre, já não dá mais pra esconder tanto cabelo branco e sempre seremos substituídas pelas mais novas. Principalmente no meio, onde o visual é o que mais conta.
PARÊNTESES: sim, amores, já disse várias vezes sobre a questão da beleza no swing. É o que chama a atenção logo de cara, não quer dizer que a “beleza” vai se manter após os 5 segundos iniciais. Mas numa era onde as conexões virtuais são predominantes, os apps de swing viram verdadeiros cardápios humanos, selecionando unicamente pelo fator visual.
A menos que você tenha criado uma memória erótica – é desejada mais pela idealização de quem você é do que pelo seu visual atual – as comparações com as mais novas serão inevitáveis, venham dos outros ou de si mesma.
Cobrança Social
Porque é isso o que a sociedade atual prega: mulheres 45+ não podem sensualizar, mostrar “demais”, fazer sexo livre. Se fizermos essas coisas, somos taxadas de ridículas, vulgares e “sem espelho em casa”. E se você pensa que no swing é diferente, sinto te decepcionar mas não é. Existem lugares, casas, grupos taxados de “velhos”, indignos de terem a ilustre presença dos novinhos gostosos que descem até o chão.
Outras Prioridades
Fiz 40 anos e me sentia a rainha da cocada! Me sentia no auge da minha vida sexual, me sentia super desejada, sexy e poderosa. Sentia que podia fazer qualquer coisa que quisesse. E aí comecei a ter problemas de saúde, veio a pandemia, estresse, inflamações, baixa de libido, secura vagina, zero vontade de fazer sexo… mas que raios está acontecendo comigo? Que numa hora eu me sentia toda poderosa e agora sempre tem um impedimento para transar?
E foi necessário viver tudo isso para compreender, hoje, que o sexo não é a coisa mais importante da vida. Aprendi, com a impossibilidade de transar, que ter amigos verdadeiros é muito mais importante. Que poder trabalhar com o que se ama é muito mais importante. Que um corpo bonito tem prazo de validade, mas uma personalidade bonita pode ser imortal! E que o sexo – ah… o sexo…! – não será mais do jeito que a gente quer, mas sim do jeito que a gente conseguir. E nem por isso será menos prazeroso!
Propósito de Vida
E por fim, as mulheres 45+ no swing se questionam: por que você faz o que faz? Os motivos para fazermos qualquer coisa ganham tanta importância nessa fase porque sabemos que daqui pra frente é só pra trás. E só continua no swing quem encontrou nele um propósito de vida.
Ser swinger mudou a minha vida. E descobri meu propósito há 12 anos, quando comecei a escrever o blog. Eu precisava mostrar o quanto tinha me encontrado como pessoa, como mulher, como profissional no meio liberal. Hoje, vendo tanta gente levando adiante o meu trabalho, sinto que meu propósito faz sentido.
E traço novas linhas dentro desse propósito, novos objetivos, novos projetos. Um deles é incentivar a sensualidade da mulher 45+. Se um dia alguém disse que temos que nos esconder porque estamos velhas, isso já não vale mais. Se alguém disse que não podemos ir nas baladas, isso já não vale mais.
O que vale agora não é o que disseram, mas o que queremos. Queremos virar a noite na balada ou num luau com amigos? Queremos passar horas trepando com desconhecidos ou 5 minutos com aquela pessoa que desejamos?
Cadê as mulheres 45+ no swing? Estão exatamente onde elas querem estar.
Beijosssssssssssss

